CONCHINCHINA

CONCHINCHINA

Boas ideias, mas falta o resto…

“Restaurantes asiáticos há muitos!”

A frase original era com chapéus e não com restaurantes deste tipo, mas ajusta-se na perfeição à situação que acontece desde o ano passado em Lisboa. Em algum momento no tempo, alguém se lembrou que podia ser demasiado limitativo que o restaurante servisse só comida tailandesa ou chinesa ou vietnamita ou indiana.. ou fosse o que fosse. Por isso, que tal servir pratos de todos esses países e chamar-lhe “comida asiática”? Faz sentido e a verdade é que a moda pegou. Muito porque para nós, que vamos jantar fora, facilita-nos a escolha, já que temos várias gastronomias juntas na mesma ementa. Há alguns restaurantes do género muito bons (como o Boa-Bao ou o SOI, sobre os quais já escrevemos) e vão aparecendo novos frequentemente.

Mas, felizmente, ainda há aqueles espaços que se focam apenas num país e tentam explorar a gastronomia daí. E o Conchinchina abriu ali na zona do Rato mesmo no “boom” dos restaurantes asiáticos… mas ficou-se pela comida vietnamita. Vietname, onde estivemos no final do ano passado. E onde tivemos experiências gastronómicas fora de série. Ou seja, temos base de comparação… pois.

Restaurante Conchinchina

Entramos no Conchinchina sem grandes expectativas, exactamente por termos uma base de comparação muito recente. Curiosos sim, mas sem grandes expectativas. E a verdade é que saímos do Conchinchina com a sensação de que foi uma experiência “incompleta”. Para nós, é um restaurante em que parece que tudo ficou “a meio”, que não foi concluído. Confusos? Pois que passamos a explicar.

O primeiro impacto não é famoso. A porta está fechada, é preciso tocar a uma campainha, à qual tocados uma… duas… três vezes, até que nos venham abrir a porta. Desagradável, mas quando entramos percebemos que a sala que dá para a rua fica um bocado afastada da sala interior onde está a cozinha e os empregados. Uma forma de controlar/receber quem entra, talvez… Esta primeira sala tem apenas uma mesa comprida, para partilhar com outras pessoas. A decoração é um quadro numa das paredes e uns candeeiros um bocado pirosos e que não dão luz nenhuma – por isso, pedimos desde já desculpa pelas fotografias. Depois há um pequeno corredor (com duas mesas) e uma outra sala, também pequena, onde parece que estamos num café, por causa do balcão, da iluminação, do mobiliário, de tudo. Parece que faltou tempo ou algo mais para terminar a decoração do espaço, então ficou assim a meio…

Restaurante Conchinchina

Desagradável é também a música ambiente, demasiado alta (não vou opinar sobre a playlist, mas também não ajudou a criar o ambiente adequado). Pedimos para baixar três vezes, até finalmente estar num volume aceitável para conseguirmos conversar.

Não estando a ser uma experiência maravilhosa, acontece-nos muitas vezes a comida mudar a nossa perspectiva em relação a um restaurante. Mas o problema é que no Conchinchina a comida veio apenas reforçar a nossa sensação de que faltava qualquer coisa. Quando estivemos no Vietname (ou na China e Tailândia, ainda antes), aquilo que sempre sentimos na comida é que tudo é muito apurado, tem sabores muito fortes e exóticos. Picantes, sim, mas mais do que isso, são sabores intensos. E no Conchinchina serviram-nos alguns pratos que já tínhamos comido antes… mas perfeitamente normais, sem essa dimensão extra de sabor. Parece que ficaram a meio…

Restaurante Conchinchina

Partilhámos várias entradas, para partilhar e provar o máximo de coisas possível: wantan (pequenos raviólis de camarão e porco), spring rolls (de frango) e outros dois tipos de dumplings, mas mesmo com os molhos a acompanhar e a dar-lhes algum sabor extra, tudo nos pareceu pouco… “asiático”. Sei lá, sabores pouco apurados. Somos 6 pessoas na mesa e todos comentamos isso. Bom, talvez os pratos principais sejam diferentes…

Restaurante Conchinchina

Restaurante Conchinchina

Só que não, o registo mediano manteve-se nos pratos principais, onde as nossas expectativas eram ainda maiores. O prato vietnamita que melhor conhecemos é o Pho, e aqui pedimos a versão Pho Bo (caldo de carne de vaca, massa de arroz, especiarias e ervas), mas por mais ervas que tenhamos colocado no caldo – porque vêm à parte – ele nunca fica apurado o suficiente. A carne está boa, é verdade, o caldo é bom… mas falta-lhe aquela dimensão extra, aquele “kick” que provámos no Vietname e mesmo em Lisboa, no Pho-Pu (leiam aqui a nossa review). É pena…

Restaurante Conchinchina

Por outro lado (e do lado contrário da mesa), o Mee Bo é o prato mais interessante do jantar. São noodles com vaca e bak choy, 3 ingredientes só. Já comemos muito melhor no Boa-Bao e, claro, na Ásia, mas ainda assim é o melhor prato do jantar no Conchinchina. A proporção dos ingredientes está correcta, os noodles são bons, tudo resulta bem. Se gostava que este prato fosse mais condimentado? Sim, gostava. Mas não deixa de ser um bom prato.

Restaurante Conchinchina

Bastante melhor podia (e devia!) ser o Caril de Frango, que promete erva príncipe em leite de côco. Temos leite de côco, sem dúvida, e o frango está bom, mas o caril deixa um bocado a desejar porque… lá está, precisava de ser mais apurado. O caldo sabe mais a leite de côco do que a caril. Picante? Nada, nada mesmo. Volto a dizer, o prato não é mau, mas falta-lhe qualquer coisa…

Restaurante Conchinchina

O prato que menos nos agrada é claramente o Pato Vietnamita: um filete de pato refogado em sumo de côco e pimenta rosa, com cenoura, acompanhado de arroz de jasmim. Ora… o arroz é bom. O pato nem por isso, porque honestamente não sabe a nada daquilo que está na sua descrição. Nem a côco, nem a pimenta rosa, é simplesmente um peito de pato fatiado, um bocado seco, a saber a pato. 

Restaurante Conchinchina

E isto foi o que mais nos irritou no Conchinchina! Foi não haver nada que fosse surpreendente ou sequer próximo dos verdadeiros sabores asiáticos… e também não haver nada verdadeiramente mau, que servisse para percebermos que podem não saber onde devem chegar a nível de sabor. Os pratos mostram que há conhecimento, mas depois parece que chegaram a meio… e pararam.

E isto acontece também nas sobremesas, onde o que mais se destacou foram as mousses de manga e de maracujá, mas nem por causa da mousse em si. O que surpreende é o girassol caramelizado como topping, que é muito interessante. De resto, um bolo de chocolate (que nunca comemos na Ásia, mas pronto), um arroz preto com leite de côco que é o mais étnico que comemos durante toda a noite e ainda um dumpling de arroz doce com amendoim… que só sabe a arroz e nada de amendoim, além de ser um bocadinho massudo.

Mas, mais uma vez, nada é mau. Simplesmente falta qualquer coisa…

Restaurante Conchinchina

No final, quando vamos a sair do restaurante, reparamos num pormenor delicioso: no verso do toldo exterior podemos ver o nome do antigo restaurante que existia naquele espaço. E esse pormenor acaba por nos dar ainda maior sensação de que no Conchinchina tudo ficou assim a meio, como que inacabado. Nem o toldo foi mudado, foi simplesmente virado ao contrário…

Restaurante Conchinchina

Na verdade, não podemos dizer que comemos algum prato mau no Conchinchina. Nada estava realmente mau. Mas nada estava também deslumbrante ou inesquecível. Ou, pelo menos, uns furos acima do registo normal. Para nós, que estivemos no Vietnam há pouco tempo, ficou muito longe do que lá comemos, principalmente porque parece que nada estava apurado. Lá está, inacabado… As ideias estão lá, mas parece que se ficaram por fazer algo muito seguro, que resulta apenas em pratos onde falta aquele extra de sabor e “pujança”.

E numa altura em que se continuam a multiplicar os restaurantes asiáticos em Lisboa – e bons! – um restaurante do género que não se destaque vai cair no esquecimento. Aqui… e na Conchinchina.

Preço Médio: 18€ pessoa (com cerveja)
Informações & Contactos:
Rua da Escola Politécnica, 257 |1250-096 Lisboa | 21 131 88 86

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