el bulo social club chakall

EL BULO SOCIAL CLUB, BY CHAKALL

Tudo está mal no reino do Chakall.

Quando entrámos no novo El Bulo, em Marvila, e vimos o chef Chakall dentro da cozinha, pensámos que isto ia correr muito bem. Nem sabíamos o quanto estávamos enganados…
Mas vamos começar então do início.

21h
Entramos no El Bulo Social Club com expectativas. É o regresso do Chakall a Portugal de forma efectiva, sem ser apenas para ter o nome nas portas dos restaurantes (como acontecia no Volver e no Blend, restaurantes óptimos by the way). O espaço percebe-se que era um antigo armazém pela arquitectura e somos logo dominados para um mural com motivos sul americanos que ocupa a parede frontal inteira. Decoração colorida, na onda do usar mobiliário completamente diferente. Sala quase cheia e fria, porque o espaço é demasiado grande para os poucos aquecedores que tem.

Vem receber-nos uma simpática menina de turbante (claro!), que quando nos está a dizer que vai tentar ver se arranja uma mesa é brutalmente interrompida por uma outra senhora, que parece ser uma das gerentes, que repete todas as perguntas às quais já respondemos. De forma bruta, diz que nos vai arranjar uma mesa mas que temos de partilhar. Primeira impressão = simpatia nem vê-la.

el bulo chakall restaurante argentino marvila lisboa

21h05
Somos encaminhados para uma mesa no fundo da sala (das mesas reservadas quando chegamos só vimos uma ser ocupada durante o tempo todo que estivemos no restaurante). Não precisamos de partilhar mesa, ficamos numas mesas improvisadas em cima de uns bidons. Seria divertido se os bancos onde nos sentamos não fossem quase da altura da mesa e estupidamente desconfortáveis. Sugestão à equipa do restaurante = experimentem a jantar nestas mesas/bancos durante sequer uma hora e depois vejam como se sentem os clientes.

el bulo chakall restaurante argentino marvila lisboa mesas

21h10
Segunda abordagem da senhora gerente (ou whatever). Estão a montar-nos a mesa e ela aparece bruscamente atrás da empregada a perguntar o que está a fazer ali. Está a montar a mesa e depois vai trazer o couvert e a resposta foi “não trazes couvert nenhum!”. Vira as costas e vai novamente para trás do balcão… Achamos no mínimo estranho mas pedimos o couvert na mesma.

Pedimos também os pratos, de uma lista escrita num quadro, com 4 entradas, 4 pratos e 3 sobremesas. Resolvemos pedir 3 entradas (ceviche de atum, alheira com batata doce e empanadas) e dividir um prato (o tritoque).

21h15
Pumbas! Chega o couvert: 2 fatias de pão daquele claramente comprado embalado nos supermercados, acompanhadas de um pacote de manteiga Mimosa. Sim. Como se estivéssemos na tasca do sr. José. A sério, estamos a falar do novo restaurante de um dos chefs mais mediáticos em Portugal. Um restaurante que pretende mostrar as suas raízes e experiências pelo mundo. E cujo couvert nos mostra apenas a viagem por um corredor do Pingo Doce…

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21h40
Começamos a ficar impacientes com a longa (e desconfortável) espera. Mais de meia hora para nos trazerem 3 entradas, sendo que uma é crua e as outra estão teoricamente feitas. Curioso é reparar que, durante todo este tempo, vemos sair apenas 2 pratos da cozinha, assim como vemos o chef parado lá dentro a olhar para a sala.

21h50
Calma! Vêm aí as nossas entradas! Só que vêm só duas das três que pedimos… As EMPANADAS que afinal é só UMA EMPANADA (e pequena), ainda que na lista esteja escrito EMPANADAS e nós somos DUAS pessoas, pelo que seria lógico pelo menos avisar que a dose era só UMA EMPANADA. E a ceviche de atum, que é basicamente uma pequena tacinha com pedaços de atum marinado em lima lá dentro. Tendo em conta que já há ceviches a sério em Lisboa (na Cevicheria, no Qosqo, até no El Clandestino), isto é no mínimo decepcionante… Sem contar que esperámos 40 minutos por uma entrada crua e outra que é só aquecer.

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22h
Vêm levantar os pratos e perguntamos pela terceira entrada. Vão já ver disso…

22h20
Estamos a acabar a garrafa de vinho que pedimos e comida nem vê-la. É impossível ficar sentados nestes bancos, e por isso temos tempo para passear pela sala (onde continuam as mesmas mesas vazias), tirar fotos a pormenores de decoração, enxotar moscas (é um antigo armazém, pelo que ficamos contentes de serem só moscas), e ver os empregados todos na conversa atrás do balcão quando há pratos para serem levantados nas mesas há algum tempo (os poucos que saíram da cozinha). Temos ainda tempo para ver uma mesa a desistir e ir embora, outra a pedir a conta rapidamente e a queixar-se a sério, e ainda outro grupo que está a comentar que vão jantar lá para as 2h da manhã.
Não temos (ninguém tem) qualquer explicação para esta demora.

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22h35
Pronto, desistimos. Depois de 1h30 à espera de comida, ao frio e desconfortáveis, sem qualquer tipo de explicação ou acompanhamento, resolvemos ir embora. Vamos até à caixa, onde está aquela gerente “simpática” (lembram-se dela?), a quem dizemos que já não vamos esperar mais e que desistimos. E não é que nos entregam a conta?! A conta completa, com aquilo que consumimos e o que nem sequer cheirámos! Como é que é possível que um restaurante (de chef ou não) ver um cliente a ir-se embora porque não está a ser servido e ainda lhe apresentar a conta completa?!?! Felizmente, uma outra gerente (ou algo do género) chega-se à frente e diz que vamos pagar nada porque realmente houve um problema na cozinha, onde faltou um cozinheiro. E onde o chef continua parado a olhar para a sala.

Atenção que esta explicação não é sequer acompanhada por um pedido de desculpas, é apenas a constatação de um facto. Saímos rapidamente, a querer esquecer o que acabou de acontecer.

22h50
Estamos a entrar no McDonald’s de Belém para jantar. Somos servidos rapidamente e a qualidade é aquilo a que estamos habituados. Mal acabamos, vêm recolher os nossos tabuleiros.

mcdonalds belem

Este foi o nosso jantar no El Bulo, o novo restaurante e social club do Chef Chakall.

E só para terminar, duas coisas:
Primeiro, não aceito o argumento do “ah e tal, abriram há uns dias e ainda estão a afinar coisas”, principalmente neste caso. Porque se trata de um chef com largos anos de experiência e que, ao contrário do que têm feito outros chefs em Lisboa, resolveu comunicar a abertura em todo o lado. Se o fez, tinha de estar completamente preparado, porque quem sofre são os clientes.

Depois, também não aceito a simples desculpa de “faltou um cozinheiro”. Isso não justifica tudo o que de mau aconteceu no jantar. E pior, se faltou um cozinheiro, o chef chegava-se à frente e cozinhava, em vez de ficar parado na frente da cozinha. E assim a experiência dos clientes não seria tão prejudicada.

Preço Médio: 23€ pessoa (era o que teríamos pago, se nos tivessem servido)

Informações & Contactos:
Praça David Leandro da Silva, 9A | 1950-064 Lisboa | 21 861 9027

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14 comentários em “EL BULO SOCIAL CLUB, BY CHAKALL”

  1. Estive lá a jantar na semana passada, felizmente ainda não tinha lido este post senão não tinha ido, a nossa experiência não podia estar mais longe do que aqui leio.
    Comemos muito bem, fomos muito bem atendidos, funcionários atenciosos e prestáveis, serviço sem demoras… O chefe Chakall estava na cozinha, pelo que pude ver, a cozinhar, veio de mesa em mesa perguntar se estava tudo do agrado dos clientes, demorando-se a conversar com quem lhe dava abertura para isso, ofereceram pisco a todos os clientes no final da refeição… Em momento algum sentimos estar a ser “despachados”. Foi um jantar muito bom.
    Gostámos muito e contamos repetir a experiência.

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    • Ainda bem a a sua experiência foi diferente da nossa, que aconteceu há um ano atrás. Teremos de lá voltar para ver como as coisas mudaram 😉

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  2. A resposta do restaurante é inadmissível. Pior do que errar (acontece, às vezes) é atacar quem fez uma critica negativa e totalmente objectiva. Quando se recebe uma critica destas só há que:
    1- Agradecer a quem se deu ao trabalho de a fazer.(estamos a falar de um CLIENTE)
    2-Pedir desculpa pelo acontecido
    3-Oferecer-se para corrigir o erro, convidando quem fez a critica a voltar ao restaurante.
    4-Devolver o valor gasto ou, melhor ainda, desconta-lo numa próxima visita
    5-Usar o feedback para resolver os graves problemas apontados

    De nada.

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  3. bom dia, ontem estive a jantar no el bulo, e nao me revejo de todo nas criticas feitas a este. o Espaço esta muito bem concebido, decoraçao excelente, espaçoso, despretensioso com varios motivos sul-americanos, e de aplaudir o risco do chakall desde ja, que numa zona que foi deixada ao abandono durante muitos anos, e que nao esta de todo, inserido nas zonas da moda vulgo principe real, bairro alto ou cais do sodre surja este conceito que, seja esperança de mais vida num futuro proximo! mas vamos falar do que interessa, a comida! primeiro que tudo assinalo desde ja que tudo o que veio para a mesa, estava excelente! o chakall nao estava, mas nao foi por isso que em nada falhou! ceviche excelente, mojitos excelentes, ojo de bife muito tenro e no ponto! Simpatia do staff top mesmo, inclusive uma amiga foi com carrinho de bebe e de tudo fizeram para que todos tivessemos confortaveis! em relaçao a preços, curioso achei umas coisas baratas para o que sao, e outras que nao valem o preço, mas discutir caro e barato e relativo! a sugestao que faço e que deviam ter menu em carta e nao naquele quadro preto, nao sei, achei descontextualizado para o sitio e tambem e mais facil para o cliente decidir o que quer e nao ter o empregado a explicar de tras para a frente o que é e o que nao é! na minha opiniao deviam tambem alargar um pouco o menu, achei que tinha pouca variedade de escolha! mas em 10 dou 9, e espero que as criticas positivas ou nao, so vos faça evoluir e que o restaurante se torne uma referencia na parte oriental da cidade , que bem merece!

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  4. Nunca gostei desse Chakall e agora ficou bem claro. Uma celebridade mas sem o proveito, só a fama.

    Afinacão seria haver um atraso mas a qualidade estar lá. Um armazem sem estilo nenhum (ou estilo getto se preferirem) e onde o couvett parece vindo directamente do pingo doce não abona nada. Se um cozinheiro baldou-se não haveria outra forma de servir os clientes? Será ele a unica pessoa que sabia cozinhar?

    Enfim… a unica afinacão a fazer seria na qualidade do atendimento e simpatia, porque um atrasado de várias horas vai muito para além de precisar de ser afinado mas sim repensar no negocio. Ao menos o McD salvou a noite 🙂

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  5. Eu vim por um link que me apareceu no FB e… estou chocada!!! Jamais podem dizer que é afinação por estar aberto hánpouco tempo. Atrasar 10 minutos é um problema de afinaçaão. 1h30 é incompetência!!!! E debo dizer que toda a minha vida pensei que um chef também cozinhava…

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