Restaurante Ofício

OFÍCIO

Dois palmos de osso. E tudo o resto à volta!

Gosto muito de um restaurante com um conceito definido e que conseguimos perceber facilmente, por estar tão bem representado no espaço. Porque é relativamente fácil abrir um restaurante, mas o que nem sempre é tão simples é encontrar uma boa ideia para ter por trás. Por isso é que se repetem hamburguerias e  petiscarias e agora “asiáticos”, por exemplo. E quando encontro um restaurante com um bom conceito e, depois de lá ir jantar, percebo que está bem explorado e ainda (o mais importante de tudo) que a comida é boa… então JACKPOT!!
Foi isso que nos aconteceu no Ofício, é e sobre ele que queremos falar hoje.

Restaurante Ofício

A ideia na base do Ofício vem do próprio nome, que por si só deriva da expressão “ossos do ofício”. E o restaurante explora a primeira parte da expressão, ou seja, a parte dos Ossos. Porque, como já devem ter percebido, estamos a falar de um restaurante de carne. Mas mais do que isso, de um restaurante onde a carne vem com osso. Estão a ver a ligação? 😉

Restaurante Ofício

Essa ligação sente-se logo no espaço, a começar pelo pequeno corner de charcutaria (boa ideia, porque chama a atenção e dá logo fome) e, claro, no piso 1, o enorme cutelo pendurado na parede, com a imagem ténue do Daniel Day Lewis do filme “There Will Be Blood”. É o instrumento principal de um talho, por isso merece todo o destaque num restaurante onde se trabalha a carne (e o osso).

Restaurante Ofício

E sim, há muitos restaurantes de carne em Lisboa, melhores ou piores, mais caros ou mais “em conta” (nunca efectivamente baratos), por isso a escolha é muita. E também por isso, um novo restaurante de carne precisa de se destacar de alguma forma. Ora, o Ofício fá-lo primeiro através do conceito… e depois por causa do Chambão.

Restaurante Ofício

Vamos então começar pela estrela principal da noite: o Chambão, que são literalmente 2 palmos de osso, onde o primeiro palmo é das carnes mais tenras e deliciosas que já provámos! Não é preciso faca, a carne desfaz-se do osso sem oferecer nenhuma resistência. O molho que está no tacho é uma delícia, mas a carne é tão boa que nem precisa disso. As fotografias não fazem jus ao tamanho da peça, e muito menos ao seu sabor!

Restaurante Ofício

Não é um corte barato (quase 60€), mas dá perfeitamente para 4 pessoas, e daquelas que comem bem. Ou seja, compensa imenso, se forem em grupo!

Mas o Ofício é bastante mais do que o Chambão, ainda que ele seja a estrela da companhia. Somos um grupo grande, por isso dá para provar muita coisa da carta, muita coisa mesmo. Começamos com o couvert, que já está na mesa para nos receber: dois tipos de pão, duas manteigas (excelente a de chouriço), azeitonas, tremoços e uma pequena tábua de queijos e alguma charcutaria (se existe o corner, é para se usufruir do que de lá sai!). Vamos “picando” enquanto não chegam as entradas, que também não demoram muito.

Restaurante Ofício

Duas tibornas: a de codorniz em escabeche com ovo da mesma, bem conseguida, e a de barriga de porco em molho de coentrada, muito melhor, deliciosa! Ainda a Farinheira Mexida, que são uns ovos mexidos com farinheira e tomate, conjunto que nunca falha; e uma salada, com queijo da ilha e croutons, só mesmo para aliviar a consciência em relação a tudo o resto que estávamos a comer… e o que ainda viria mais.

Restaurante Ofício

Restaurante Ofício

E o que veio a seguir, para além do gigante Chambão, foi um festim de carne! E não só! 🙂
Quem nos serve parece dominar o que está a chegar à mesa e vai tentando explicar o melhor possível tudo aquilo que vamos comer. Ora vejamos:

Costeleta do Cachaço, no ponto certo, saborosa.

Restaurante Ofício

Bochechas, deliciosas e com textura perfeita.

Restaurante Ofício

Rabada, uma carne que parece estufada, num molho atomatado, provavelmente o prato mais normal da noite.

Restaurante Ofício

Arroz Malandrinho de Coelho, outro prato maravilhoso, onde o uso do vinagre faz lembrar uma cabidela, mas não tem nada a ver.

Restaurante Ofício

Até os acompanhamentos que pedimos oscilam apenas entre o bom e o excelente, ou seja, nada baixa a média: o arroz de morcela de carne é fabuloso, assim como o arroz malandrinho de cogumelos; mais normais os legumes assados e as migas, mas novamente excelente o puré de batata. Tudo faz sentido, tudo é servido em boas doses.

Restaurante Ofício

Tendo em conta que além disto tudo ainda tínhamos o Chambão, não sobrou muita fome para sobremesas… mas faz-se sempre um esforço! E ficamos novamente rendidos a algumas delas, especialmente o delicioso e viciante (e decadente) Pão de Ló de Chocolate a Picar (o toque picante vai aparecendo e nunca se sobrepõe ao sabor do chocolate, é uma maravilha) e o Bolo de Bolacha, servido num copo de galão. Muito boa a Torta de Taranja e mais normal o Pudum (que é um pudim, só isso). O elo mais fraco foi o Arroz Doce (demasiado líquido e sem sabor nenhum), acompanhado de uma espécie de sonhos de maçã, que honestamente não percebemos qual era o seu objectivo.

Restaurante Ofício

Restaurante Ofício

Restaurante Ofício

Restaurante Ofício

E assim terminou um jantar longo mas excelente!

No panorama dos restaurantes de carne em Lisboa, o Ofício pode aparecer como um player novo, mas tem argumentos de peso para se destacar. As carnes, com destaque claro ao Chambão, pela diferença. Mas essa diferença está também nos outros pratos além dos cortes de carne, assim como nos acompanhamentos, pelo menos aqueles que provámos. E bastam algumas diferenças (ou mesmo uma, que se destaque muito) para fazer com que um restaurante se afaste dos outros do mesmo género. No Ofício há um conceito muito interessante e muito bem explorado, o que é sempre uma vantagem em relação a muitas casas de carne. E, claro, há um Chambão como não se serve em nenhum outro sítio em Lisboa. Gigante e delicioso. Só por isto, o Ofício merece uma primeira visita. E tudo o resto vai fazer-vos voltar outra e outra vez. 😉

Preço Médio: 30€ pessoa (com vinho)
Informações & Contactos:
Rua Nova da Trindade, 10 | 1200-302 Lisboa | 910 456 440

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