restaurante substancia encerrado

SUBSTÂNCIA

Há mais Substância no Cais do Sodré. Finalmente!


O Cais do Sodré está na moda, acho que já aqui disse isto várias vezes antes. Mercados, bares, restaurantes, seja o que for que abra nesta zona, vai ter sucesso (pelo menos a curto prazo). Mas quando tentamos ver mais longe do que as fachadas bem decoradas e pessoal trendy à porta, percebemos rapidamente que muitos destes sítios pecam pela falta de originalidade e de personalidade. São montras bonitas mas sem grande conteúdo.
Por isso mesmo, é muito interessante quando entramos num restaurante e, depois de duas horas de refeição, sentimos que há ali mais conteúdo do que em muitos à volta. Há ali mais Substância.

O Substância é o projecto de um ex-concorrente de um concurso culinário de tv mas, felizmente, esse não é o factor diferenciador do restaurante. A sua promessa é comida portuguesa, que todos conhecemos, mas com roupagens mais contemporâneas. Sem nunca perder o mais importante – o sabor e a alma.

E começando exactamente pela comida, tive oportunidade de provar alguns dos pratos da nova carta de Inverno e fiquei bastante bem impressionado!
À mesa chega logo com a carta um pequeno miminho, um croquete de farinheira com doce de amora e molho de alho, para abrir as “hostilidades”. O creme de castanha com cogumelos, batata doce em palha e chalotas é saboroso e denso, ainda que o conjunto seja um pouco doce demais. De seguida, o torricado de bacalhau é acompanhado de uma excelente compota de pimentos, e a terminar as entradas, a farrafusa atomatada com ovo a 63º e queijo de cabra, uma óptima conjugação de sabores e texturas. Para pratos principais, a bochecha de porco com mousse de alho assado e castanhas é interessante sem ser surpreendente, com a bochecha cozinhada na perfeição; mas o ex-libris da noite é a sopa rica de peixe, deliciosa e com o toque picante perfeito, com camarão e pão frito para criar um contraste de texturas excelente no prato. Um prato de Inverno mas perfeito para qualquer altura do ano.
A fechar, uma boa mousse de chocolate com um óptimo gaspacho de morangos, mas que ainda assim fica atrás do excelente pudim abade de priscos com mousse de toranja, onde o pudim tem uma textura leve e excelente, aliada a um sabor fabuloso, que faz o contraste perfeito com a acidez da toranja. Não sou de doces conventuais, mas fiquei rendido.

Ingredientes de qualidade, doses em quantidade generosa e, acima de tudo, pratos reconfortantes, como se quer no Inverno. Nota-se o respeito pelos ingredientes e por dar aos pratos o sabor que a comida portuguesa “dos nossos avós” tem.

A isto tudo acresce um serviço simpático e eficiente, num espaço de decoração muito simples mas bem pensada, onde são dominantes o candeeiro de tecto (feito com frascos de grão vazios) e uma “cortina” de sardinhas na entrada da sala. Pormenores que fazem toda a diferença.

Numa zona da cidade onde abrem constantemente restaurantes sem personalidade, é bom ver que nem tudo está perdido. E que as coisas mais simples e honestas são realmente as melhores. São as que têm mais Substância.

Preço Médio: 25€ pessoa (com vinho). Ao almoço o Menu começa aos 8,5€.

Informações & Contactos:
Rua da Moeda, 1C | 1200-275 Lisboa | 213951278

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