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SEGUNDO MUELLE

Um serviço muito abaixo da média…

Sei que me torno repetitivo quando digo que um restaurante não é só a comida, mas sim toda uma experiência, que inclui o espaço, o ambiente, o serviço e o preço. É a conjugação mais ou menos perfeita destes 5 factores que determina a nossa opinião acerca de um restaurante. Seja uma tasca, um estrela Michelin… ou um restaurante peruano muito na moda.

Ora, duas coisas foram recorrentes durante o nosso jantar no Segundo Muelle: o estarmos a gritar um com o outro para tentar manter uma conversa, devido ao excessivo (às vezes quase insuportável) barulho no restaurante; e os pedido de desculpa dos empregados, sempre que conseguimos que eles fossem à nossa mesa.

O Segundo Muelle era um dos restaurantes que estava na nossa lista para experimentar este ano. A gastronomia peruana é uma tendência crescente mas, mais do que isso, é um tipo de comida de que gostamos muito. E como um de nós já esteve no Peru, há um carinho ainda maior por esta gastronomia. Por isso a expectativa era muito grande!

Sexta-feira à noite, confusão normal no Cais do Sodré, restaurante cheio. Numa primeira impressão, o espaço é bastante interessante, boa iluminação e espaçamento entre mesas, sofisticado… mas muito barulhento. Não sei se tivémos apenas azar nesta noite ou se é mesmo um problema de acústica no restaurante, mas o barulho é realmente muito. O sítio até parece propício a um jantar a dois, mas infelizmente depois não conseguimos ouvir a pessoa que está à nossa frente. O que é desagradável, especialmente tendo em conta o posicionamento do restaurante.

E se o barulho é desconfortável, então o serviço está bastante abaixo da média. Os empregados andam a passear pela sala mas com os olhos postos no chão, deixando algumas mesas desesperadas por alguém que os venha atender – olhamos à volta e vemos que não somos só nós a tentar chamar a atenção dos empregados. Demoram 20m até nos virem recolher o pedido, não levantam copos vazios da mesa, não trazem talheres… até chamarmos a atenção para essas situações (e, quando finalmente conseguimos chamar a atenção, o empregado responde-nos com uma piscadela de olho… e segue na vida dele). Segue-se sempre um pedido de desculpas, mas estou à espera de um serviço muito melhor num restaurante com estes preços. Muito fraco.

Ainda assim, a comida poderia mudar tudo. Mas tem altos e baixos…

O couvert é engraçado e típico de um restaurante peruano, e entretém enquanto esperamos pelo primeiro prato da noite. O Cebiche Norteño, descrito como o mais puro, tem demasiada malagueta, tornando o molho muito picante em vez do ácido que devia ser. Boa dose, mas pouco “original”.

Os dois pratos seguintes, felizmente, foram em crescendo… e que crescendo! Primeiro o Sudado de Pescado, que nos traz uma posta de peixe emersa num caldo de peixe e condimentos delicioso, acompanhado de cebola roxa e batata doce, que com a adição de lima fica ainda melhor. Sabores intensos e muito ricos. E depois chega o Risotto de Quinua con Lomo Saltado (quinoa com pedaços de lombo salteados), novamente um prato com sabores intensos mas excelentes! O risotto perfeito, com sabores claramente peruanos, o lombo muito tenro e bem temperado. Um prato fora de série!

Mais algum tempo a esbracejar e a ver os empregados a passear pela sala com os olhos postos no chão… até que conseguimos pedir a sobremesa. Outro clássico peruano e escolha óbvia para nós era a sobremesa: o trés leches. Que volta a desiludir um pouco, porque aqui sim, pediam-se sabores intensos e isso não acontece. Não sentimos alma nesta sobremesa, o que é essencial na cozinha peruana.

O Segundo Muelle pode não ser o melhor representante da comida peruana em Lisboa (A Cevicheria do Chef Kiko Martins – da qual podem ver o que escrevemos aqui – continua a ser o melhor), mas tem alguns pratos bastante interessantes. Muito bons mesmo. Mas depois o ambiente (do qual não têm responsabilidade) e o serviço (que é única e exclusivamente responsabilidade do restaurante) acabam por estragar a experiência. E para um restaurante com esta média de preços, esperávamos bastante mais.

Para terminar em beleza, mais um maravilhoso episódio de um serviço bastante abaixo da média:
“Quer contribuinte na factura?” “Sim, sff. Pode emprestar-me uma caneta?” “Não é preciso, eu decoro!” “Tem a certeza?” “Diga diga, eu decoro!” E eu disse. E a factura chegou. “Desculpe, deixe-me dizer-lhe que não acertou num único número…” “Como assim?! Tem a certeza?!” “Sim, tenho a certeza de qual é o meu número de contribuinte”…

Preço Médio: 32€ pessoa (com pisco sour, bastante bom por sinal)

Informações & Contactos:
Praça D. Luis I, nº 30 – loja 4b | 1200-148 Lisboa | 931 169 158

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1 comentário em “SEGUNDO MUELLE”

  1. Obrigado por terem retirado este restaurante da MINHA lista de sitios a conhecer. Não se compreende que empresários da restauração experientes (como supostamente serão os donos deste sitio) descurem totalmente esta vertente do serviço. Alguém se esqueceu de dizer aos empregados que os clientes são… clientes. Não são amiguinhos da escola a quem se pisca o olho. O episódio do NIF é de ir às lágrimas… Ou então “acham-se” os maiores porque estão num sitio da moda e os clientes até deveriam estar agradecidos por ter o privilégio de lá poderem ir… Muito equivocados, estão mesmo muito equivocados….

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