ROTA 94

Carnes maturadas, umas melhores que as outras.

Antes do aparecimento das steakhouses modernas – aqueles restaurantes dedicados a cortes de carne diversos, muitos deles maturados – os sítios onde íamos para comer carne eram basicamente dois: ou restaurantes que tinham bifes ou então rodízios à brasileira (daqueles tipo Chimarrão). Nos primeiros, primava a qualidade da matéria prima, enquanto nos segundos sempre estivemos no registo da quantidade e variedade das carnes (e a sua repetição, claro). Entretanto estes rodízios à brasileira mais “tradicionais” foram perdendo um pouco a força, por um lado pela gradual diminuição da qualidade mas também, e muito importante, porque foram aparecendo novas tipologias de restaurantes dedicados à carne.

Este enquadramento foi uma das conversas que tivemos durante o nosso almoço no Rota 94. Porque saímos de lá com uma ideia: está tão distante de um restaurante daqueles “modernaços” com carnes maturadas, como dos restaurantes de rodízio brasileiro. É muito melhor que estes últimos, mas não chega aos calcanhares dos primeiros. Ainda assim, para nós foi uma excelente surpresa!

O Rota 94 fica numa zona de armazéns na zona de São Marcos, não muito longe do Cacém. E quando falamos de uma zona de armazéns, é mesmo isso. Até porque o espaço é isso mesmo, um enorme armazém, mas transformado num restaurante.

E essa é a primeira grande (e boa) surpresa: o espaço não só é enorme como é inesperado a nível de decoração. Estamos num registo de roadhouse americana, com motivos que tanto apontam para o imaginário roqueiro como motard, ainda com pormenores dandy e hipster. Mesas de madeira feitas à mão, candeeiros estilosos, e até uma zona que serve como barbearia e outra que serve de tattoo parlour. Uma mistura de demasiadas referências que, ainda assim resulta bem.

Bom, e então quais são as diferenças entre o Rota 94 e um qualquer rodízio à brasileira? Há várias. E para começar logo pela principal diferença, o que o destaca de um Chimarrão ou outro restaurante de rodízio brasileiro é a carne. É certo que há um menu de almoço com uma mista de carnes, mas a lista dá mais destaque a apenas alguns cortes, e alguns maturados: Vazia, Picanha, Rosbife e o Tomahawk.

Começando já pelo fim, o senhor Tomahawk, trazido para a mesa ainda no osso, fatiado à nossa frente e depois colocado numa pequena frigideira para passar mais, caso alguém queira.

Ora, a carne é boa, sem qualquer dúvida. Mas está longe de ser o melhor Tomahawk que já comemos. Talvez seja pelo corte “grosseiro” da carne, que deixa alguns pedaços demasiados grossos, talvez seja do facto de haver pedaços que ficam na frigideira tempo demais (porque estamos a comer o resto) e passam do ponto ideal, talvez seja pela carne em si. É um bom tomahawk, mas não fomos aos céus…

Por outro, a Picanha, aqui Black Angus Maturada, é muito mais do que isso, é deliciosa. A carne é mesmo saborosa, além de estar temperada de forma perfeita. Provavelmente das melhores picanhas que já comemos, tanto em rodízios brasileiros como em restaurantes especializados em carnes. Uma maravilha!

A Vazia, essa, foi uma desilusão. Nem nem na sua versão média nem na versão mal passada nos convenceu. Não pelo ponto da carne, mas pela sua qualidade. Uma carne que se quer tenra e quase sem gordura, aqui foram-nos servidas duas cheias de nervos e gordura, difíceis de cortar com as facas (boas). Ninguém na mesa ficou convencido, nada mesmo.

Ainda antes, um destaque para as Chicken Wings, cobertas de um excelente molho barbecue. Bela entrada, para nos fazer lamber os dedos! 🙂

Até na apresentação se nota a diferença, porque o serviço feito em tábuas aproxima-se muito mais das steakhouses que há um pouco por toda a Lisboa do que dos rodízios à brasileira, onde o que interessa é encher o prato.

E ainda a oferta de cervejas artesanais e internacionais, muito mais variada do que em muitos restaurantes mais “na moda”. Aqui até nos oferecem uma pequena degustação e explicação de várias cervejas antes de escolhermos a que queremos… sendo que todas as que provamos são da Super Bock. Ou seja, acabamos por não escolher nenhuma das outras dezenas de referências.

Finalmente, ainda nos pontos positivos, o serviço! Outra agradável surpresa, simpático, na sua maioria conhecedor do que nos está a servir (ou o que nos deve aconselhar). “A carne não está no ponto pedido? OK, trazemos já outra!”… e trazem mesmo! Certo que somos um grupo grande e é a nossa primeira visita ao restaurante, pelo que interessa fidelizar, mas ainda assim são atenções que não se vêem em muitos sítios.

Mas depois também há algumas coisas que nos fazem inevitavelmente lembrar do típico rodízio à brasileira, como por exemplo os acompanhamentos, todos servidos na mesa ao mesmo tempo e com a possibilidade de serem repetidos as vezes que quisermos: chips de batata frita, mandioca frita, puré de batata trufado (muito bom), salada, arroz e feijão preto. Doses pequenas, mas podemos repetir. Acompanhamentos que nos recordam demasiado daqueles que servem nos brasileiros, alguns até desajustados com a carne servida. Enfim…

Outra coisa que é comum com os antigos rodízios brasileiros, as sobremesas. Bastante fraquinhas. Claro que depois de se pedir alguns destes cortes de carne não há muita “disponibilidade” para sobremesas, mas ainda assim nada nos deixou convencidos. O Crepe Gelado vem servido mesmo quase gelado, parece que acabou de ser descongelado, o Bolo de Pudim é… um pudim, mas com uma textura um pouco mais seca, e o Cheesecake é apenas um cheesecake, nem bom nem mau.

Lá está. Mesmo sendo uma boa surpresa – e mesmo considerando o serviço 5 estrelas – saímos do Rota 94 com aquela ideia que explicámos no início do texto: é mais do que um rodízio à brasileira, mas ainda não está perto dos outros restaurantes da moda de carnes maturadas em Lisboa. Talvez seja o ambiente, talvez a localização, sei lá. Para nós, foi mesmo a carne, que sendo boa não é excelente. E às vezes as comparações fazem-se por “pormenores” tão simples como esses.

Preço Médio: 20€ pessoa (com cerveja)
Informações & Contactos:
Alto da Bela Vista, Armazém 16 16 | 2735-521 São Marcos | 21 586 4755

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