PIRILAMPO

PIRILAMPO

Uma tasca à séria, do princípio ao fim!

Tascas… como eu as adoro! 🙂 Podem abrir todo o tipo de restaurantes em Lisboa, pode surgir todas as modas gastronómicas, ou as cozinhas do Mundo podem estar a invadir-nos… mas quem me tira uma bela tasca, tira-me tudo! E é por isso que sempre que se proporciona um jantar numa tasca – especialmente uma que não conheço – fico todo entusiasmado!

Já conhecia o Pirilampo de nome, e muito por causa do arroz de cabidela. Nas listas de restaurantes que se partilham entre amigos que gostam de comer, lá estava sempre este pequeno restaurante de Alvalade. Onde entramos numa Quarta-feira à noite e está completamente cheio, sendo que se mantém cheio mesmo com o passar das horas. Para nós, isso é sempre um excelente sinal!

E percebemos que o Pirilampo é uma tasca daquelas a sério logo quando nos sentamos. Não só pelo barulho na sala (motivado também pela televisão onde está a dar um jogo de futebol), mas porque toda a abordagem é feita de forma descomprometida, como se fôssemos clientes habituais. Há uma aura em torno deste tipo de restaurantes, que nos faz sentir à vontade, sem estar preocupados com nada do que nos rodeia.

Como é habitual neste tipo de restaurantes, ainda antes da ementa já temos na mesa pão, azeitonas e manteiga. Básico, clássico, essencial. Aqui também um queijinho seco e croquetes, e por mim tudo bem! Vinho da casa a jarro, como se quer. Tudo antes de sequer olharmos para os pratos, porque outra coisa que uma tasca pede é uma boa conversa.

Pedimos dois petiscos só porque sim, e partilhamos umas Gambas “Al Ajillo” boazinhas e um Pica-Pau espectacular! Mas daqueles mesmo espectaculares, com a carne tenra e o molho assim meio ácido, que faz pedir mais dois cestos de pão. E mais um jarro de vinho, claro.

Mas a verdade é que fomos ao Pirilampo pela Cabidela, por isso estamos ansioso que chegue à mesa! E chega, no meio dos outros pratos principais, com o arroz bem cozinhado, o frango em boa quantidade… mas precisava de mais vinagre. É uma questão de gosto, eu sei, mas é cabidela, raios! Tem de ser avinagrada! Não pode ser só “assim mais ou menos”…

Os outros pratos que chegam à mesa são exactamente aquilo que esperávamos: comida simples, sem invenções, servidas sem grandes preocupações. Umas boas Iscas, mesmo boas, ainda que servidas com batata frita (shame! shame!). E um dueto de fritos: Choco e Ovas, ambos bem fritos e simpáticos de se comer, acompanhados por um muito bom arroz de grelos. Este sim, bem temperado e com excelente sabor.

Já só havia meia dose de Joaquinzinhos fritos, por isso incluíram na travessa dois filetes de pescada, assim uma espécie de mista de peixe improvisada. Bons os fritos, muito bons os filetes, coisas simples que não precisam de invenções nenhumas. Outro arroz de grelos para acompanhar, este mais seco do que o do tacho ao lado. Curioso…

Somos 5 na mesa, por isso toda a gente prova um pouco de tudo. À medida que as horas passam vão saindo pessoas e entrando outras, a conversa vai fluindo e os jarros de tinto continuam a aparecer. Era capaz de fazer isto todas as noites! 😉

Pedimos também uma sobremesa cada um, e descobrimos que são o elo mais fraco do que se come no Pirilampo. Até pode ser tudo caseiro, mas nada nos deixa completamente satisfeitos… A Torta de Laranja está demasiado seca, o Arroz Doce demasiado líquido. O Leite Creme é queimado no momento e é talvez a melhor das sobremesas que chega à mesa, sendo a Pêra Bêbada a menos interessante de todas… Resta o Bolo de Mel, simpático mas sem ser inesquecível.

O que vale é que a conversa já ia longa (e os jarros de vinho também), por isso já não ligámos assim tanto às sobremesas. Mas ligámos ao gesto simpático de nos deixarem na mesa uma garrafa de aguardente juntamente com os cafés, para nos servirmos à vontade. Coisas de tasca!

No fundo, mesmo com altos e baixos, o Pirilampo é aquilo que esperávamos que fosse: uma tasca, onde podemos ir jantar de forma descomprometida, sem pensar muito, para comer comida normal e conversar, enquanto bebemos um copo de vinho. A cabidela está longe de ser épica como esperávamos, mas também não compromete (assim como nenhum dos outros pratos). Por isso, acaba por ser um restaurante de bairro, de proximidade, onde vai quem está habituado e faz parte da casa. Como uma verdadeira tasca deve ser.

Preço Médio: 13€ pessoa (com vinho da casa)
Informações & Contactos:

Rua Acácio de Paiva, 4 | 1700-005 Lisboa | 21 849 12 35

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