NÓMADA

NÓMADA

Fusão?! Se for desta, então vamos lá! 🙂

 

Já escrevi várias vezes aqui: não sou adepto de sushi de fusão. Não se trata de não gostar, tem mais a ver com preferências, e eu prefiro a frescura e variedade do peixe e cortes e rolos bem feitos, com ingredientes simples mas bons. Quando começam a “complicar”, geralmente as peças resultam num emaranhado de sabores que se confundem e acabam por deturpar o sabor final. Sendo que a fusão é também o refúgio mais simples para alguns restaurantes que não apresentam a tal frescura e variedade de peixe de que falei em cima. Por isso, não é a minha praia.

Dito isto, saí do Nómada rendido. Completamente rendido. Rendido à qualidade da matéria prima (nem estou a falar só do peixe), rendido à criatividade dos chefs, rendido à apresentação dos pratos que nos foram chegando à mesa. Este é um sushi de fusão que eu como de bom grado. Todos os dias!

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Aberto a meio do Verão, o Nómada tem como responsáveis dois chefs que já passaram pelo Sushic. Talvez por isso o restaurante tenha chamado muita atenção na rentrée e tenha começado rapidamente a ser falado pelos amantes de sushi da cidade. Não é o restaurante de sushi mais barato do eixo Saldanha-Campo Pequeno, mas a verdade é que também não se quer posicionar assim. E todos os elogios que temos ouvido desde a sua abertura são muito verdadeiros!

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Numa ementa que tem os típicos combinados, mas onde uma análise à carta nos abre água na boca (porque tudo parece extremamente interessante), resolvemos arriscar e pedir sugestões. O serviço, bastante jovem e cordial, sugere-nos muita coisa da carta e ainda nos fala sobre pratos especiais que não estão escritos. Mas que pela descrição nos parecem muito bem!

Começamos por uns cones crocantes (um com atum marinado e cebola confitada em vinho do Porto e outro com tataki de salmão), que são bons petiscos e são realmente crocantes… mas são só o começo. Das sugestões fora da lista, seguimos com uma espécie de um carpaccio: o Van Gogh, uma base de carpaccio de pampo onde são acrescentados camarões, mexilhão e amêijoas, com um molho à bulhão pato, mas feito com ingredientes japoneses… ora, este prato é uma maravilha! Uma maravilha! Um prato que merece estar na lista, mas mesmo não estando tem de ser provado! O carpaccio perfeito, o marisco também, e o molho super apurado, com aquele sabor que tão bem reconhecemos mas onde também sentimos o toque japonês (com o saké, por exemplo). Estou a ser repetitivo, mas uma maravilha!

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Seguem-se os makis, dois da carta e um que é novamente uma sugestão de quem nos serve. Começando por este último, o Nómada Roll tem camarão com cebola crocante, envolto em salmão braseado, maçã verde e atum, com picadinho de vieira no topo. Simples, não é? Da carta provamos ainda o Mexican Roll (tataki de atum, abacate e manga, coberto com nachos, tomate cherry e molho picante) e o Black & White (arroz negro selvagem recheado com camarão salteado em Brandy, espargos frescos e com peixe branco braseado no topo).

Todos os makis são excelentes e a fusão faz todo o sentido, com destaque para o Black & White, sentimos todos os ingredientes, todas as texturas, todos os diferentes sabores. A apresentação é irrepreensível, são autênticas obras de arte nos pratos (louça muito bem escolhida também). As peças são talvez um pouco grandes demais, mas percebem-se a razão, por causa da sua complexidade. Honestamente, o difícil é escolher de entre todos os makis da carta.

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Mas não conseguimos ficar por aqui, porque a primeira coisa que escolhemos mentalmente foi o gunkan de foie gras e atum, com compota de figo preto. Sem qualquer dúvida o prato da noite, e sem qualquer dúvida um dos melhores pratos que comemos este ano. A conjugação do atum com o foie gras é brilhante e o sabor é do outro mundo. Um gunkan que comíamos todos os dias, sem pensar duas vezes!

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Terminámos com um cheesecake de lima, só porque queríamos algo mais fresco. Mas nem precisávamos disso, porque o gunkan tinha sido o final perfeito de um jantar excelente! Ainda assim, não queremos que o cheesecake se fique a sentir mal, porque é um bom cheesecake de lima, com bom sabor e textura.

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Sim, os rolos são um bocadinho grandes demais, mas a verdade é que saímos do Nómada cheios. E não é estar cheio só porque comemos muito, é cheios porque comemos muito E BEM! Aquilo que sempre me irritou no sushi de fusão foi perceber que não há qualidade e por isso se recorre a artimanhas. Mas no Nómada, o sushi de fusão faz todo o sentido! Os ingredientes são excelentes (o peixe incluído) e as ideias de fusão têm todas um conceito por trás, por isso tudo faz sentido.

O Nómada veio para ficar (finalmente a piada com o nome do restaurante). E mais do que isso, acreditamos que o Nómada se vai tornar uma referência na cozinha japonesa em Lisboa. Com ou sem fusão, desde que seja boa. E aqui é excelente!

Preço Médio: 35€ pessoa (à carta, com vinho)

Informações & Contactos:
Avenida Visconde Valmor, 40 A | 1050-240 Lisboa | 917 779 737

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