ESTE OESTE

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Pizza? Sushi? Ou os dois? Mais ou menos…

 

Não há nada que nos irrite mais do que gostar muito de um restaurante, depois ficar algum tempo sem lá voltar e, quando voltamos, perceber que as coisas já não estão exactamente como antes. E voltar novamente para tirar as teimas e perceber que realmente não estão… mesmo! Às vezes até pode ser simplesmente o nosso gosto ou grau de exigência que mudou… mas depois há pormenores tão objectivos que nos fazem perceber que não é sequer uma questão de opinião. E isso irrita-nos profundamente!

Isto por causa do Este Oeste, no CCB, em Belém. Um restaurante onde fomos uma vezes no ano em que abriu e onde tivemos sempre experiências fantásticas, a todos os níveis. Um restaurante que recomendamos durante anos a todo o tipo de gente que nos pedia dicas. Mas um restaurante onde voltámos recentemente por duas vezes… e que já não é o que era.

este oeste - restaurante italiano japones sushi ccb belem lisboa 3

Na altura da abertura (nesse longínquo ano de 2013), o conceito foi muito inovador! Honestamente, quando me falaram da ideia de juntar no mesmo espaço um italiano e um japonês, achei meio estranho, nessa altura. Porque nem os sabores nem os ingredientes têm nada a ver. Daí que havia alguma curiosidade, mas poucas expectativas. O que tornou tudo ainda muito melhor! Nessas primeira visitas.

Em primeiro lugar, o espaço, que se manteve interessante desde o início: é a antiga cafetaria do CCB, mas agora bem organizada e decorada, de forma muito sóbria mas eficaz. O ponto central da sala (uma mesa quadrada com uma instalação de origamis) ainda assim não tira o protagonismo ao balcão onde é feita a comida, que ocupa uma parede inteira e está realmente dividido entre a parte italiana e a parte japonesa. Grande impacto visual.

Assim como acontece nas primeiras visitas, continuamos a achar a ementa um pouco extensa, porque tem de ter muita variedade das 2 cozinhas. Talvez pudesse ser mais reduzida, orientando-nos mais a escolha. Além disso, poderia haver uma espécie de menu de degustação que incluísse pratos dos 2 tipos de cozinha, para nos permitir provar um pouco de tudo. Mas compensa com os pratos da secção “Este Oeste”, que tentam uma fusão das 2 cozinhas. 

Mas as grandes diferenças que notámos desde as primeiras visitas para estas últimas podem isolar-se em 3 “pormenores”: o serviço, a inovação e a apresentação da comida.

Começando pelo serviço, que no início era quase excelente! Uma simpatia imensa, sempre prontos a ouvir comentários e sugestões e completamente à vontade para responder às nossas perguntas sobre a ementa e sobre a fusão que lá existe. Agora, das duas vezes que lá fomos, completamente a despachar. A sala sempre cheia de turistas e o facto de só haver uma pessoa a recolher pedidos faz com que tudo seja lento e impessoal. Não há sequer tempo para fazer uma pergunta sobre qualquer coisa que não saibamos o que é. Sim, a localização do restaurante assegura que está sempre cheio de estrangeiros, mas isso não justifica tudo.

Depois, a inovação da carta. Quando abriu, o Este Oeste era sem dúvida um dos restaurantes mais inovadores de Lisboa, pela fusão inteligente que fazia das gastronomias japonesa e italiana. Isso ninguém lhe pode tirar. Mas nos dias de hoje, com a quantidade de bons restaurantes tanto italianos como japoneses a existir em Lisboa (e já sem falar de restaurantes que fundem todo o tipo de influências), era preciso um bocado mais…

Passando por cima do Pão de Alho, tipo crostini, que só sabe a tomate e a azeitonas, mas a alho nada, temos uma ementa dividida entre pratos italianos (pizzas e pastas principalmente), pratos japoneses (sushi) e uma área que funde as duas gastronomias em pratos tanto italianos como japoneses.

O crostini Este Oeste tem ceviche malagueta doce, goma tarde e azeite de trufa… é muito bom, aliás, continua muito bom, mas ceviche não vem nem da Itália nem do Japão. Moderníces!Mas depois temos o Aji Crostini, que à leitura parece excelente e depois falha um bocadinho… carapau braseado com maionese de alcaparra, azeitona e pimento assado, num conjunto que só sabe à dita maionese, que barra o pão e passa por cima de tudo o resto.

O maki do mesmo nome, esse sim, continua verdadeiramente fabuloso: salmão e rúcula com topping de tomate com balsâmico, uma mistura perfeita das 2 cozinhas. Delicioso! Assim como o Gunkan-Sakê, com salmão, gorgonzola braseada, compota de pêra, fio de mel e limão, que parece complicado mas que sabe mesmo muito bem!

O combinado de sushi é bom, ou antes, cumpre. Não é surpreendente na apresentação nem na composição. Não há nada de errado nas peças ou no seu corte, mas é simplesmente mais do mesmo. E numa altura em que há tanta oferta de sushi em Lisboa (tanto da mais elaborada como da mais barata), seria conveniente surpreender um pouco.

E, finalmente, em relação à apresentação da comida, podemos dar dois exemplos. Em primeiro lugar, a Sobremesa Este Oeste, que se mantém na carta: uma mousse de Oreo com frutas. No início, servida ainda com um biscoito crocante de limão, numa ardósia, com o aspecto que podem ver em baixo:

este oeste - restaurante italiano japones sushi ccb belem lisboa 2

… e, em 2018, numa época em que toda a gente tira fotografias de comida para o Instagram, a mesma sobremesa é servida num frasco, complicado de se comer. É ver a fotografia em baixo e tentar descobrir as diferenças…

Ou a pizza, uma simples pizza, que pedimos metade Uva & Fromaggio di Capra (e nessa metade temos muito mais prosciutto do que uvas, queijo de cabra ou pinhões, nenhum mesmo) e metade Diavola (mozzarella, ventricina e orégãos, onde estes últimos faltaram completamente à chamada). Apresentação péssima, como se pode ver pela foto, e nem sequer a divisão está bem feita. E posso ser só eu a não gostar… mas por que raio é que as fatias de ventricina tiveram de ser estraçalhadas?! Não podiam colocá-las inteiras na pizza?! É para poupar?!

Ou seja, uma pequena desilusão, este regresso. Ou seja porque há restaurantes italianos muito melhores em Lisboa, assim como restaurantes japoneses/de sushi, ou mesmo porque há cada vez mais restaurantes a apostar na fusão de gastronomias com melhores resultados. Para quem não os conhece, ou para quem visita pela primeira vez o Este Oeste, há aqui boas ideias e coisas interessantes para se comer – especialmente na parte da carta que funde os dois tipos de comida. Mas depois da surpresa inicial, o Este Oeste já não nos consegue cativar. Porque nem a novidade (além da apresentação) nem o serviço nos fazem voltar.

Não deixa de ser um bom spot para visitar num Domingo de Verão, mas para nós deixou de ser um imprescindível a recomendar a toda a gente.

 

Preço Médio: 17€ pessoa (se optarem pela parte italiana do menu)
Preço Médio: 30€ pessoa (se optarem pela parte japonesa do menu)
Informações & Contactos:
Praça do Império (CCB) | 1449-003 Lisboa | 215904358

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