STOP DO BAIRRO (agora em Campolide…)

stop do bairro campolide
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Um Clássico que deixou de o ser… 🙁

Pensámos muito sobre se devíamos actualizar o post sobre o Stop do Bairro, que tão bem conhecíamos em Campo de Ourique, ou se escrevíamos um novo, agora que o restaurante se mudou para Campolide. E essa dúvida já estava connosco desde antes de termos ido conhecer o novo espaço. Mas quando saímos do “novo” Stop do Bairro tínhamos uma certeza: com a excepção da comida, nada está como dantes. O que nos leva a escrever um post novo. E isso deixa-nos muito tristes… 🙁

stop do bairro campolide

O encerramento e a posterior mudança para Campolide foram forçados, e isso foi assumido pelos donos do restaurante. E acredito que muita gente – assim como eu – ficou bastante contente quando soube que o restaurante ia reabrir, ainda que num bairro diferente

Ora, o que se mantém do Stop do Bairro antigo para o novo – e da comida falo depois – é a dificuldade em estacionar na zona. E, no interior, algumas das camisolas e cachecóis de clubes de futebol. Pronto, ficamos por aqui. Aquilo que o espaço de Campo de Ourique tinha de pitoresco e familiar, o novo espaço em Campolide tem de despersonalizado. Faltam os azulejos, falta o mobiliário, falta até alguma da escuridão do espaço. O restaurante não é muito maior, mas parece por causa das paredes completamente brancas. Demasiado brancas. Muita luz, mobiliário mais moderno, pouca decoração nas paredes.

Por outro lado, falta também aquela abordagem mais caseira e bairrista dos empregados, que havia em Campo de Ourique. Pode ser por não conhecerem os clientes como conheciam os anteriores, mas senti o serviço completamente apático e muito mecanizado. Pouco simpático, inclusivamente. O que não acontecia no outro bairro.

stop do bairro campolide

E, acima de tudo, faltam as pessoas. Sei que não se pode controlar isso, mas a fauna de Campolide é completamente diferente da de Campo de Ourique. E enquanto no antigo Stop dividíamos a sala com trabalhadores das obras, malta do bairro, executivos, clientes todos conhecidos da casa, no novo Stop sentamo-nos ao lado de “famílias de bem” ou de senhoras que depois vão fazer compras às Amoreiras. É difícil de explicar, mas tem um feeling completamente diferente. Menos genuíno, muito menos, e era essa genuinidade que fazia do Stop do Bairro um dos nossos restaurantes preferidos em Lisboa.

Tentamos por isso esquecer onde estamos e focar-nos na ementa…

stop do bairro campolide

A ementa continua a ter os clássicos a que o Stop sempre nos habituou, e é aí que nos sentimos finalmente em casa. Se ignorarmos tudo o que está à nossa volta e nos focarmos simplesmente na ementa e depois na comida, parece que voltamos ao restaurante de Campo de Ourique. Parece…

Passamos os olhos por muita coisa que sabemos que é boa, por experiência própria – ossobuco, pernil de cabrito à angolana, açorda de gambas ou arroz de tamboril – mas estamos focados em dois pratos. Um porque é um favorito de sempre e outro porque no Stop existe o melhor que há em Lisboa! 😉

stop do bairro campolide

stop do bairro campolide

Começando pelo último, o arroz de cabidela. Que no Stop é o melhor de Lisboa, mas assim de muito longe! Dose muito bem servida, cheia de carne, molho a puxar ao vinagre como se quer numa boa cabidela. Aqui não há preocupações com o sal nem com tornar os pratos mais do agrado de toda a gente. Aqui cozinha-se com alma, e isso sente-se nos pratos, porque têm aquele sabor inesquecível.

Para o outro lado da mesa chega ao mesmo tempo outro prato, aquele que pedimos quase sempre que vemos na carta de um restaurante: a carne de porco à alentejana. Carne excelente, bem temperada, com destaque ao pimentão doce, com boas amêijoas também… mas com batata frita cortada aos palitos. Que raio, pá! Parece que se está a tornar uma moda, e não é das boas! Mas custa assim tanto cortar as batatas ao cubos?! São caseiras , é verdade, mas vêm no formato errado!

stop do bairro campolide

Passada a irritação das batatas – e passa facilmente porque a comida é realmente maravilhosa – seguimos para as sobremesas. E como a ementa é a mesma da casa antiga, com as mesmas coisas maravilhosas, no novo Stop do Bairro também não podia faltar aquilo que, pelo menos para mim, devia ser obrigatório em todos os restaurantes do Mundo: o pijaminha de sobremesas! Neste caso, bem servido, porque é para duas pessoas, com quase tudo muito bom: o bolo de laranja, o bolo de chocolate, o flan e a tarte de amêndoa destacam-se, seguidos de perto pela encharcada. A tarte de limão e o cheesecake são os elos mais fracos, mas nunca chegam a ser maus, nada disso. Porque, e volto a insistir, a mão de quem está na cozinha do Stop do Bairro é capaz de coisas fenomenais!

stop do bairro campolide

No final, e só para nos fazer levantar os olhos da comida e voltar à realidade, a conta chegou à mesa com coisas a mais e com um vinho diferente (e mais caro) do que nos for servido. Sei que pode ter sido apenas uma triste coincidência, mas parecia inevitável que acontecesse mais alguma coisa que nos fizesse relembrar que este não é o mesmo Stop.

Por isso, quando saímos do restaurante, saímos tristes. O novo Stop do Bairro foi das maiores desilusões que tivemos este ano. E nem digo “provavelmente”, por foi uma certeza. Não pela comida, porque esse continua uma maravilha, já que é feita pelas mesmas pessoas. Mas tudo o resto foi tão diferente do que estávamos habituados em Campo de Ourique que saímos do restaurante de rastos… Há restaurantes que se destacam só pela comida, outros só pelo espaço, outros ainda pela simpatia extrema no serviço. E depois havia o Stop do Bairro, que se destacava por tudo, porque todo o conjunto era perfeito e fazia sentido. Era como uma orquestra afinada, que é sempre uma maravilha para apreciadores de qualquer tipo de música. Mas agora essa mesma orquestra em Campolide ainda está numa fase muito inicial dos ensaios, ainda que os músicos sejam os mesmos. E o próprio público no auditório também não ajuda…

É difícil de explicar e ainda mais difícil de aceitar, mas o Stop do Bairro já não é o Clássico que era… 🙁

Preço Médio: 15€ pessoa (com vinho da casa)

Informações & Contactos:
Rua Marquês de Fronteira, 173-A | 1070-294 Lisboa | 21 585 2893

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